Carta à mãe de primeira viagem

Oi! Como estão as coisas por aí? Acho que sei um pouco como estão… e por isso resolvi escrever uma carta. Nada muito longo, porque afinal, ninguém aqui tem tempo para grandes cartas, mas só queria compartilhar um pouquinho do que eu, em minha “vasta” experiência de mãe de dois pequenos, aprendi e tenho aprendido.

Talvez você até imaginasse, durante a gravidez, como seria a sua vida quando esse bebezinho fofinho aí do seu colo chegasse: você ouviu pessoas falando sobre noites sem dormir, sobre passar o dia de pijama, sobre não ter tempo para muita coisa, bla bla bla. Mas a verdade mesmo é que a chegada de um filho, e especialmente o primeiro, é uma transformação imensa, completa e irreversível na vida. A gente até imagina como será e tal, mas na verdade mesmo, a gente não tem ideia!

Aí um dia, seja de parto natural, normal, cesárea, sentada, na rua, na chuva, na fazenda ou na casinha de sapê, o bebê chega, e tudo vira completamente de ponta cabeça. O cansaço vem com tudo, invade sem dó, e por algum motivo as pessoas mais velhas, mais experientes, ou mesmo as total inexperientes, parecem vibrar quando você diz que ficou acordada a madrugada toda. O marido vira piada no trabalho, o chefe pergunta se ele está dormindo bem e sai dando risada. O bebê acorda, acorda e acorda, chora, chora e chora, e sempre tem alguém bem intencionado olhando pra você e perguntando e aí mãe, o que é? Sim, afinal, “a mãe sempre sabe o motivo do choro do bebê”, certo?

Errado!!! Nos primeiros dias, errado! Mas ninguém arrisca ir de frente com essa linda frase, e assim vamos seguindo, inseguras e com um baita peso nas costas, de assumir 100% a responsabilidade por um bebezinho indefeso de tudo de uma hora pra outra.

Tem horas que literalmente a gente tem vontade de gritar de cansaço (pelo menos eu tive! rs), e em seguida se culpa (claaaro), porque afinal de contas, não é esse o bebezinho por quem eu tanto orei, esperei, pedi, sonhei?? Como eu posso não estar VIBRANDO de felicidade com ele ali no meu colo chorando? Como eu posso estar tão desejosa por uma – só uma – noite inteira e completa de sono?

Eu me lembro como se fosse ontem de quando a Ester era pequenininha.  Tantas e tantas vezes eu me fechei no banheiro, ou era pela casa mesmo se eu estivesse sozinha rsrs…. e chorei! Não chorei pouco não, chorei muito. Chorei de soluçar, de deixar o olho inchado uns dois dias depois. Como disse uma blogueira outro dia, “Chorei porque tinha saudades de dormir a noite inteira, porque queria escolher que hora ia comer e tomar banho sem ouvir um chorinho do lado de fora, chorei porque me sentia uma porcaria de mãe por estar chorando, quando na verdade eu devia era estar cheirando e curtindo minha bebê, que tinha nascido saudável enquanto alguns exames do pré-natal insistiam em apontar o contrário! Que tipo de mãe era eu que queria… hm.. dormir?”. Enfim, chorei.  E por um bom tempo escondi, mas hoje levanto a bandeira: chore! Acredito mesmo que esse choro é legítimo, é intenso, e é lícito.

Mas… não pare por aí. Não chore só para as paredes, pois isso teria um alívio limitado e pouco eficaz. Chore para Deus. Ele sabe! Ele entende. Ele é Pai, onipresente e onisciente, entende o que é cuidar de filhos, faz isso com perfeição. E é onipotente! Ele é capaz de restaurar as nossas energias quando a gente pensa que não tem mais de onde sair pique para levantar nas madrugadas geladas, para enfrentar mais uma noite longa, um dia mais cansativo… Chore para Deus, porque Ele nos ama, cuida de nós, conhece nossas aflições e se preocupa com cada uma delas. E Ele há de ampará-la nos momentos de maior exaustão, cansaço e esgotamento. Foi Ele quem te deu esse presente, lembra?

Sabe, ter um filho pela primeira vez é TORNAR-SE mãe. E TORNAR-SE é transformação.  Para se transformar, a gente precisa deixar-se morrer um pouquinho.  A gente muda, e vai mudando aos poucos, sempre!

E essa mudança tem dois lados: se por um deles você se descobre uma pessoa mais determinada, mais intuitiva, mais segura, por outro você descobre um lado seu que você preferia não ter conhecido… porque o cansaço da maternidade tem esse “poder”, de revelar quem realmente somos, e isso quase sempre é bem ruim. Puxa, a maternidade fez vir à tona muito do meu orgulho, egoísmo, imaturidade, e olha, a lista é longa. Só que a revelação desse lado ruim que meu coração escondia me tornou ainda mais consciente e dependente da graça de Deus, do seu perdão imerecido, e me fez entender e compreender ainda mais o amor de Deus por mim. Então, mesmo a descoberta desse nosso lado “ruim” pode ser revertida, se colocarmos nossa vida sempre na dependência de Cristo, clamando a Ele para nos ajudar a viver a intensa maternidade com sabedoria.

E eu vou te falar uma frase básica e universal agora. Eles crescem. E pode acreditar, crescem rápido demais. Esse comecinho é tão, mas tããããããão intenso que às vezes a gente se sente meio que engolida, pensando que vai ser assim pra sempre agora. Chega a dar um certo pânico (mas a gente não admite) de pensar que aquele bebezinho vai ser sempre tão dependente, tão grudado na gente pra tudo. E aí caímos no perigoso terreno de focar nos dias futuros: “ah, não vejo a hora dele fazer três meses”, “ah, quando ele engatinhar”, “ah, quando ele tirar a fralda”…. ou então, nos dias passados: “ah, que saudade de sair para jantar com meu marido no meio da semana”, “ah, quando eu fazia academia”…

Calma! Eles crescem. Essa fase, intensa, vai passar. Lembro que nos dias intermináveis de cólicas da Ester as pessoas me falavam “calma, são só três meses”… e eu falava “TRÊS MESES??? TRÊÊÊÊS MESEEEES DE CÓLICA???? TRÊS MESES SÃO NOVENTA DIAS! SOCORRO!”! E hoje ela está aí, fofa, esperta e adorável, sem cólica nenhuma e já não tenho funchicória em casa faz tempo (claro que os desafios agora são outros, mas esses ficam para outra carta!) !!

Também percebi uma coisa nisso tudo: muitas pessoas dizem essa frase, “eles crescem”, em tom de consolo. Algo do tipo “aguenta firme, eles crescem”. Mas tenho pessoas muito sábias ao meu redor que me deram um novo entendimento e um novo tom a essa frase. Elas me dizem “eles crescem”, mas em tom de advertência: “preste atenção, pois eles crescem”. É tão rápido, tão passageiro… que se você passar esses dias pensando no futuro ou no passado, vai perder o melhor da história. Viva o hoje. Viva o presente! Deus te deu esse PRESENTE! E eles crescem.

 “Este é o dia que o Senhor fez; nele me alegrarei e celebrarei” (Salmo 118:24). Sim, sabedoria do salmista diretamente aplicada ao coração da mamãe cansada: viva o hoje! Curta cada fase em seu devido tempo, porque eles crescem. Não viva ansiando pelas próximas fases do seu bebê, porque elas inevitavelmente chegarão, e MUITO, mas MUITO mais rápido que você agora imagina.

Então assim, nessa carta, um pouco fora do convencional para uma mãe, queria muito que você soubesse que não está sozinha nesses seus sentimentos variados e malucos (não são malucos! ou então #somostodasmalucas), e não pense que precisa dar conta sozinha não, “porque fulana e beltrana dão conta”. Não compare os seus bastidores com o palco das redes sociais das mães que você vê por aí. É difícil PARA TODAS.

E chore para Deus, tanto quanto precisar. Ele quer te ouvir. Quer te ajudar. Viver a vida em função de outra pessoa é um desafio imenso e intenso… e quem melhor do que Aquele que DEU a própria vida em favor de outras pessoas para nos ajudar na caminhada??

Segue o jogo, estamos juntas nessa hein, aprendendo a ser mãe à medida que aprendemos a ser FILHAS!!

Conte comigo com o que precisar!

Beijos com muito carinho,

Naná

10 comentários em “Carta à mãe de primeira viagem

  1. Nossa Naná! Que lindo! Eu ainda não sou mãe, serei em breve, em nome de Jesus! Mas sempre pensei sobre isso da forma como você falou. Devido a um tratamento eu tive noites insones infinitas, e chorava de pura exaustão! Imagino o mesmo com um bebezinho em casa!
    Que Deus nos capacite e nos sustente nessa tarefa linda que é ser mãe!

  2. É isso,exatamente isso!vc consegue por em palavras aquilo q sentimos e nao conseguimos explicar…Deus continue usando mto sua vida !!!!!beijos nos pequenos 🙂

  3. Muito verdadeira essas palavras do início ao fim!
    Meu bebê está com um mês e meio e só consegui deixar de lado aquela ansiedade doentia quando entendi que essa é uma fase, que eu não tenho obrigação de saber tudo, que é normal se sentir exausta, que Deus está comigo, no controle de tudo e que eu devo aproveitar os momentos e dias que Deus tem nos dado e que são tão passageiros.

    Obrigada por esse texto, é o primeiro que vejo da página e sem dúvida irei ler outros. ❤️

    1. Oi Sara!
      Sim, é essa mistura toda de sentimentos, e precisamos falar sobre eles, e colocá-los no lugar! Que Deus te abençoe e te fortaleça nessa missão incrível que é a maternidade!! 😊😘😘

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