Natal: tempo de ajustar o foco

Dezembro já chegou com tudo mesmo! Advento valendo, compromissos crescendo, amigos secretos para serem sorteados. A despeito de todo o frenesi que a cultura nos impõe, podemos fazer diferente?

Sim, podemos!

Isso envolve não participar de nada, não ir em festa nenhuma, jogar a árvore fora e só comer salada no Natal?

Não!

Mas, eu te pergunto: se eu tirar do seu natal a ceia e os presentes, o que sobra?

Precisamos, sim, ajustar o foco para que o Natal tenha o significado e sentido que merece, e não seja engolido pela correria maluca, a comilança desmedida, e o saldo negativo no final do mês!

Natal não é correria

“Respondeu o Senhor: Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”. (Lucas 10:41-42)

A história bíblica é conhecida: Jesus, caminhando com os seus discípulos, chega num povoado e vai para a casa de Marta e Maria, duas irmãs.

Jesus em minha casa?! É preciso fazer algo, elas devem ter pensado. A diferença, entretanto, é gritante: enquanto Maria deixou tudo de lado e se sentou para ouvir e sugar tudo o que Jesus poderia lhe trazer em sua própria casa, Marta se envolveu em uma lista interminável de afazeres. Logicamente, depois de um certo tempo, ela ficou indignada, e foi logo chamar Jesus para colocar ordem na bagunça: O Senhor não está vendo ela sentada não? Fala para ela se tocar e vir aqui me ajudar!

E a resposta, é o tapa na cara que tem atravessado gerações: Ah, Marta… você está aí feito doida, tendo chilique e andando em círculos, mas nada disso importa. Maria escolheu o que realmente importa: venha ouvir e aprender de mim, e isso não lhe será tirado.

A história, hoje, também é conhecida. Jesus nasceu, e a celebração deste evento que transformou o universo foi maquiada pelo comércio, por tradições e tantos hábitos que, em si, não teriam problema!

Só que então, nós nos preparamos para receber essa festa em nossa casa. Quem somos nós? Somos a louca dos preparativos, que estressa dois meses antes, corre atrás de todos os mínimos detalhes e, se algo não sai à altura do esperado, “a casa cai”? Somos aquela que, por causa das 16 confraternizações que “precisa” ir, não teve tempo para fazer a leitura de DOIS versículos por dia com a família, no final do dia? Somos aquela que, no fundo no fundo, está tão apavorada com a correria natalina que não vê a hora disso tudo acabar? Somos aquela que, no dia da festa, não senta um segundo, nem mesmo na hora da oração, e ainda acha que quem está orando está, na verdade, fugindo do serviço?

Ah, Marta… você está aí feito doida, tendo chilique e andando em círculos, mas nada disso importa. Escolha o que realmente importa: adore e agradeça a Deus pela vinda de Jesus, Emanuel, Deus conosco.

Sou contra festas? DE JEITO NENHUM! Contra amigo secreto? AMO! Fujo de reuniões de família? JAMAIS. Mas, meninas, se isso consumir e drenar a nossa energia, estamos focando e escolhendo o que não importa. Que tenhamos sabedoria para caprichar, pensar sim numa festa bonita, decoração festiva e comidas deliciosas, mas com equilíbrio, para que não percamos de vista que o Natal não é correria, e sim a lembrança do acontecimento mais sublime, que deu início ao cumprimento da Promessa divina de nos enviar um resgatador.

Porque isso, amigas… isso não nos será tirado.

Natal não é comilança desenfreada

Ai ai ai, vamos mexer com comida??? E aí? Comer coisas deliciosas é errado? Deus nos criou para comer coisas insossas e ruins? A magreza é o ideal? Eu controlo a comida ou ela me controla?

No último dia 04/12, eu e a Danira Clemente, minha nutri favorita, fizemos uma live sobre isso, e sobre como tirar o foco da comilança desenfreada que a nossa cultura nos impõe, e ter uma bela ceia de Natal em que Jesus é o foco, e em que Ele é glorificado inclusive na forma como nos alimentamos!

Começamos com a pergunta: qual é o problema, afinal? É a comida? É comer?

De fato, o problema não está nem na comida e nem em comer. A comida é uma benção, e comer é um dos prazeres que Deus permitiu que nós sentíssemos. Portanto, comer, gostar de comer, sentir alegria e prazer em comer é um presente de Deus para nós. Comer é bom! Mas, viver em função da comida é ruim. Devemos comer para viver, e não viver para comer. O problema está quando nós perdemos o foco do que Deus quer para nós, nos perdemos em nossas ansiedades, na nossa vontade de ter todos os nossos desejos supridos e saciados no nosso tempo e como determinamos.

Nesse sentido, precisamos pensar em qual é o objetivo real da alimentação. Ela não serve somente para nos satisfazer, trazer conforto, saciar os nossos desejos. Ela serve em primeiro lugar para nutrir o nosso corpo. Então, em primeiro lugar precisamos pensar: Estou comendo tão somente para saciar meu desejo ou estou nutrindo o meu corpo?

Quando focamos em Deus, entendemos que o nosso corpo é Templo do Espirito Santo, e ele não é nosso, é um presente dado por Deus.

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” 1 Coríntios 6:19-20

O nosso corpo não é nosso! Deus nos deu para viver e cuidar bem dele!

Existem alimentos saudáveis, que promovem vida e os não saudáveis. Se a sua alimentação for baseada em alimentos saudáveis, que nutrem o seu corpo, que promovem saúde, não há problema em comer os alimentos rotulados como proibidos, numa quantidade que não trará doença para o seu corpo. Nós não precisamos viver com rótulos, “permitidos e proibidos”. A consequência disso, é que as pessoas ficam neuróticas e desequilibradas.

As pessoas precisam encontrar a alegria em comer os alimentos saudáveis e desfrutar do prazer em comer os não saudáveis, no momento certo, na quantidade certa.

Depois, perguntei para ela: A Bíblia tem a resposta para o meu comportamento à mesa NO NATAL? Ou em qualquer outra ocasião festiva?

Para começar a abordar esse assunto, precisamos nos lembrar do número de vezes em que as reuniões, casamentos, festas e banquetes são documentados na bíblia, com oferta de alimentos. Até mesmo o céu é descrito como um lugar em que banquetes serão servidos!

Deus nos convida a participar e se alegrar com festas, e com comida boa, sim! Porém, o que acontece na maioria das casas no Natal, é que Jesus é praticamente esquecido. O foco está na comida e nos presentes. Podemos e devemos desfrutar da confraternização do Natal. Devemos comer e nos alegrar em Cristo, mantendo o domínio próprio, sem exageros. Sem agredir o nosso corpo.

E aí, a nutricionista nos ajudou aqui de forma prática: você precisa limpar a sua casa conforme você suja. Se você receber amigos e der uma festa na sua casa, você terá que se empenhar mais na faxina. Talvez você tenha que pedir ajuda de alguém. O mesmo vale para a alimentação! É pensar como uma balança. Fazer uma compensação em outras refeições. Pensando no peso, em não engordar nesta época, se você vai comer alimentos mais calóricos e acabar comendo um pouco mais do que você come (ou deveria comer) normalmente, você pode diminuir os carboidratos de outra refeição por exemplo. Comer somente uma salada com um peixe grelhado no almoço do dia 24 e nos outros dias de confraternização. Aumentar a atividade física nesta época. Fazer uma desintoxicação no início do ano.

Além disso, e o mais importante, é não dar maior importância aos alimentos do que ao momento. A comida faz parte da reunião, mas não é o motivo da reunião. Então, aproveite para conversar, se alegrar, orar. Dar importância ao que é devido.

E, se para você é muito difícil manter o controle, encerramos com essa dica: Ore antes dessas ocasiões, pois o domínio próprio não é uma capacidade sua, é um fruto do Espirito, é um presente que você pode pegar, abrir e usufruir. Não deixe este presente guardado e esquecido dentro da gaveta. E não caia na armadilha de achar que isso é “forçar a barra”, pois é nesse engano que entramos quando consideramos a gula um pecado tolerável.

Então, lembre-se: pode comer, aproveitar, não precisa trocar a sua ceia por alface (a não ser que haja recomendações importantes de saúde para você), mas… ajuste o foco! Não coma como se não houvesse amanhã, porque afinal, não apenas no Natal, mas em todos os dias do ano,

“quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus”. (1 Coríntios 10:31)

Natal não é gastar mais do que se pode

“Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração” (Mateus 6:21)

Ah, a Black Friday… Black November, Cyber Monday, Cyber Month, promoção de Natal, sorteio no shopping, ganhar um panettone a cada 400 reais em compras e ainda concorrer a um Audi Sedan XYZ…. quem não fica mais atiçada para comprar em meio a tanto apelo assim? Ainda mais sabendo que se comprar de segunda a quinta tem cupom em dobro!

A nossa cultura transformou o Natal em uma data comercial. Somos impelidas a gastar, a presentear e, na maioria das vezes, fazemos mesmo de bom grado! Presentes para as professoras das crianças, para as professoras da academia, pessoas que nos ajudam ao longo de todo o ano nas mais variadas funções, além das amigas, o amigo secreto da igreja, do ministério, do trabalho, e uns 2 da família (o sério e o zoado). Além disso, são tantas promoções para renovar a nossa casa e armário, é quase irresistível!

Sendo assim, nesse Natal, é bom lembrar de algo que vale durante o ano todo: precisamos ter cautela com as nossas despesas, e isso envolve um gasto responsável. Eu concordo, assim como concordei com a realidade inegável de que teremos mais comida envolvida nessa época do ano, que teremos mais gastos nessa época. É natural e esperado. É gostoso também! Entretanto, se você não está podendo gastar horrores comprando presentes maravilhosos para todo mundo, simplifique! Barateie. Faça as lembrancinhas você mesma, se você gosta e tem tempo e talento! Mande cartões. Demonstre amor de tantas outras formas!

Afinal, comprar e presentear é bom, mas o presente excelente não é o foco. O foco é Jesus, que nasceu numa manjedoura, humilde e simples como Ele só, para que pudesse deixar claro ao mundo que Ele veio para todos, e não apenas para quem pudesse pagar. Afinal de contas, ninguém podia! O Rei desceu do Céu e veio a nós para que pudéssemos ter a vida eterna. O melhor presente é Jesus, e esse não nos custou nada!

Como bem disse a Jen Wilkin, “A nossa salvação não nos custou nada, mas a nossa santificação nos custará tudo”. Que seja esse o preço que estejamos dispostas a pagar a todo custo, e de todo o coração, mesmo nos momentos em que isso envolver agir contra a cultura do nosso tempo. Eu sei, pode ser repetitivo, mas, ajuste o foco: O Natal é Jesus, e que seja Ele que busquemos oferecer com primazia àqueles que ainda não O conhecem, acima de qualquer presente!

 

 

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